quinta-feira, 1 de maio de 2008

Humanos e robôs em lua-de mel

Por Jorge Alexandre Machado

Humanos e robôs se casarão até a metade deste século. Essa afirmação é do pioneiro da computação David Levy, 62, em entrevista para a revista Scientific American. Para ele, os avanços na computação e na robótica permitirão o casamento legal entre o Homo Sapiens e o Robô, que parece virá a ser igualmente Sapiens. A teoria avalia que os humanos com problemas para realizar adequadamente conexões emocionais e sexuais com seus semelhantes poderão vir a direcionar essas necessidades básicas para os robôs.

Levy conta que, em 2003, começou a pesquisar esse assunto com mais profundidade. Antes já havia se perguntado "Não seria interessante se houvesse pessoas artificiais com quem pudéssemos conversar?". Durante essas pesquisas encontrou uma quantidade tão grande de material, diz ele, que resolveu aprofundar no estudo das relações emocionais humanas com computadores, inclusive quanto à viabilidade de relações sexuais. O trabalho resultou no livro Love and Sex with Robots que ele dedica "a todos que se sentem perdidos e sem esperança nas relações, para que saibam que um dia terão a possibilidade de se relacionar com robôs".

Quanto à questão do envolvimento emocional, Levy acredita que as pessoas poderão se apaixonar pelos robôs e avalia "não é que as pessoas se apaixonarão por um algoritmo, mas por uma simulação convincente de um ser humano" e acrescenta: "nem tudo é o que parece ser e simulações podem ser bem convincentes".

A escolha do parceiro, robô, ideal poderá ter opções como: o subserviente total, que concorde com tudo, e aqueles que provocam um pouco mais de conflito no relacionamento. "A maioria das pessoas pode desejar robôs que digam ocasionalmente: não quero fazer isso e que rejeitem certos pedidos. Isso poderia ser programado, isto é, o nível de desacordo desejado", antevê Levy.

O estudioso não acha que as relações amorosas com robôs venham a acabar com as relações entre os humanos ou traria prejuízos, de alguma forma. As pessoas que "sentem um vazio emocional e sexual, por uma série de razões é que poderiam se beneficiar com os robôs", entende ele. Haveria também envolvimentos com o andróide por curiosidade ou para não ficar atrás dos amigos e vizinhos que já experimentaram a novidade.

Levy compara que apaixonar-se em uma sala de bate-papo na internet, muito comum nos dias atuais, não é muito diferente de gamar por um robô. Afinal, argumenta ele, "não importa quem esteja do outro lado da linha. Só importam sua experiência e percepção."

O que o trabalho não informa é se as robôs femininas sentirão dor de cabeça em momentos totalmente inadequados para o homem, quantas vezes por dia as andróides irão querer discutir a relação e nem se estará resolvida a questão da posição correta da tampa do vaso. Já no caso dos robôs masculinos, o que não fica esclarecido é se o futebol e o encontro com os amigos, robóticos ou humanos, irão privar constantemente as humanas do aconchego maior de seus robôs e também se eles irão cair no sono imediatamente a um download amoroso.

2 comentários:

Alex disse...

Hoje a gente pode achar um absurdo, muita gente vai falar: isso nunca vai acontecer! não é possível uma coisa dessas! Mas temos que lembrar que muita inovação tecnológica antes apenas vista em filmes de ficção, hoje é realidade. Agora imagina uma robô Juliana Paes, que nós mesmos podemos programar, sem dores de cabeça, sem discussões de relação, até que não é uma má idéia!

Edgar G. disse...

Quando Nicola Tesla quis mudar o mundo, ele demonstrou como e criou as tecnologias necessárias para tanto. Morreu desacreditado porque as pessoas tendem a ser misoneístas. Mas suas criações são usadas até hoje, do mesmo jeito que há cem anos, o que demonstra que a ciência não avançou tanto assim.
O cinema fez inúmeras projeções para um futuro que nunca se concretizou, justamente porque só imagina, mas não mostra à ciência como chegar lá. Até hoje a inteligência artificial tem acumulado um histórico de fracasso. Então devemos ter um olho vesgo com essas idéias um tanto quanto superficiais.
Quanto a se apaixonar por uma máquina, isto é totalmente possível. As pessoas se apaixonam por pessoas que não existem, como personagens de filmes.