segunda-feira, 30 de junho de 2008

Lei do Aprendiz é discutida em seminário

Por Jorge Alexandre Machado

Nos dias 1 e 2 de julho será realizado o "Seminário – Lei do Aprendiz no Brasil: oportunidade para os jovens e desenvolvimento para o Brasil", no SESC Vila Mariana, em São Paulo. A organização é da ONG Atletas pela Cidadania, do GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas e do Instituto Ethos de Responsabilidade Social. O objetivo é reunir entidades públicas, organizações não-governamentais, empresas e fundações para discutir os principais problemas da Lei do Aprendiz (10.097/2000), segundo informa a Agência de Notícias dos Direitos da Infância - ANDI.
No debate, conforme sugere a ANDI, serão discutidas questões, tais como: As empresas seguem a legislação em vigor no que diz respeito à contratação de jovens de 16 a 24 anos? Onde encontrar aprendizes qualificados? Quais são as organizações formadoras de aprendizes? Existe uma fiscalização efetiva do governo nas empresas que não cumprem a lei? "Chegou o momento de refletirmos sobre as razões pelas quais as grandes empresas se comprometem com questões sociais, mas não cumprem a lei. Sabemos que é uma política pública em implementação, mas precisamos ajudar o país a conseguir concretizá-la”, comenta Raí de Oliveira, diretor da ONG Atletas pela Cidadania.
De acordo com a lei nº 10.097/2000, as empresas com mais de 100 funcionários são obrigadas a contratar aprendizes. Nesse caso, o quadro pessoal das médias e grandes empresas deve ser composto de 5 a 15% de aprendizes, jovens de 14 a 24 anos. Apesar de ter sido sancionada em 2000, a regulamentação só ocorreu em 2005, quando a prática entrou em vigor no país. Com a contratação ganham os jovens com a oportunidade de entrarem no mercado de trabalho e continuarem estudando e lucram os empregadores com a redução da contribuição ao FGTS de 8,5 para 2,5%.

Os empresários interessados na contratação de aprendizes devem procurar entidades certificadoras, por meio de serviços de aprendizagem (SENAI, SENAC, SENAT etc.) ou por escolas técnicas de educação e organizações não-governamentais.




quinta-feira, 19 de junho de 2008

Restrições à imigração na contramão do mundo globalizado

Por Jorge Alexandre Machado

O Parlamento Europeu aprovou ontem o projeto de uma "lei de retorno" para os imigrantes ilegais que vivem em países-membros da União Européia. Estima-se em 8 milhões o número de pessoas que estão em situação irregular em países do bloco econômico europeu.
As medidas entram em vigor em 2010 e prevêem que os clandestinos encontrados terão prazo de sete a 30 dias para sair do país de forma voluntária. Do contrário, poderão ser detidos e deportados. No caso de expulsão ficarão proibidos de entrar legalmente em qualquer país da União Européia por cinco anos.
Os estrangeiros na Europa não têm tido vida fácil. Estando de forma regular ou não, Portugal, Espanha e França, principalmente, agem de forma dura e restritiva à entrada de turistas ou imigrantes em seus países, não importa se o motivo é passeio, trabalho, estudos, ou visita a algum amigo ou parente.
A Espanha protaganizou este ano um espetáculo de desrespeito aos direitos humanos, quando em um novo episódio de restrições à entrada de estrangeiros no país proibiu a entrada de 30 brasileiros no Aeroporto de Madri. Patrícia Magalhães foi uma delas. Ela ia apresentar um trabalho no Congresso Internacional de Física, na Espanha. Patrícia foi barrada no setor de imigração e detida em uma sala do terminal. Ela ficou três dias num cômodo de aproximadamente 50 metros quadrados, comendo no chão e sem direito sequer a um banho, conforme relatou. Em nota, o Itamaraty, à época, disse: "há poucas semanas, o Ministro Celso Amorim havia manifestado ao Chanceler espanhol a insatisfação do Governo brasileiro com a repetição de tais medidas restritivas e ressaltado a importância de que se conceda tratamento digno e adequado a cidadãos brasileiros que ingressam na Espanha".

Em Portugal, país de laços sanguíneos com o Brasil, não é diferente. Ano após ano somos surpreendidos com novos casos de restrições à entrada ou até mesmo expulsões de brasileiros em terras lusitanas. Em 2006, o IOL Diário, de Portugal, registrou: "No último ano, o número de cidadãos estrangeiros expulsos de Portugal aumentou 52 por cento. Os brasileiros são os imigrantes mais vezes afastados do território nacional. E é também esta a nacionalidade que leva mais carimbos de recusa à entrada de estrangeiros no nosso país". Afirma ainda que o Brasil "é referido no Relatório Anual de Segurança Interna como um dos países que representam mais risco migratório para Portugal".
E esse comportamento parece que permanece atual. O UOL Notícias conta que na semana passada "13 brasileiros foram barrados e imediatamente deportados à chegada ao Aeroporto Internacional de Lisboa." O presidente da Casa Brasil em Lisboa, Gustavo Behr, avalia que "dos cerca de 40 mil pedidos de legalização de imigrantes que estão pendentes no país, 70% seriam de brasileiros. Desse total, só 7 mil obtiveram resposta positiva." Behr acredita ainda que "a resposta da Europa à imigração tende a ser a expulsão e o afastamento das pessoas e não a integração." Ele prevê que em Portugal, os brasileiros seriam "os mais atingidos pelo endurecimento das barreiras". A Casa Brasil estima que mais de 30% dos brasileiros que vivem em Portugal estejam em situação irregular.

Na França, os 80 brasileiros que foram detidos na semana passada no Centro de Detenção de Bobigny, por estarem no país em situação ilegal, acusam as autoridades locais de tratamento "desrespeitoso" e "desumano", segundo a Agência Lusa. O grupo alega privações de comida e de água e condições de higiene precárias, relata a Agência. Somente no ano passado, 507 brasileiros foram expulsos da França.

A imigração irregular realmente é um problema para qualquer país, pois muitas vezes está associada ao tráfico de pessoas ou relacionada a crimes cometidos no país de origem. No entanto, essa não é a realidade da maioria dos imigrantes que vão a procura de trabalho ou condições para se fixar em um novo local, assim como milhões de migrantes de diversas nacionalidades se fixaram no Brasil e formaram a cultura brasileira, integrando-se perfeitamente à nossa sociedade. Separar o joio do trigo deveria ser tarefa das autoridades competentes e não nivelar todos como criminosos e partir para a deportação ou expulsão.

Em época de globabilização, as pessoas se sentem cidadãs do mundo. O que comem, vestem, ouvem, vêem são produtos originários ou produzidos por diversas nações. A procura de trabalho passa a ser também global. A globalização existe desde o início da civilização. Cresceu na época das navegações, nos séculos XV e XVI, mas tomou a forma que conhecemos hoje, após o fim da Guerra Fria, com o colapso do bloco socialista, no limiar da década de 90. A principal alavanca foi a saturação dos mercados internos, que motivou muitas empresas multinacionais a buscarem novos mercados consumidores.
Mas ela não se restringe somente às áreas comerciais, a internet contribuiu significativamente para a formação do que McLuhan, pensador canadense, chamava de "Aldeia Global" e delineou a forma de um mundo sem fronteiras como é mais entendido o processo de globalização. As conseqüências não podiam ser outras. As pessoas querem o direito de ir e vir e se estabelecerem onde houver melhores condições de vida. Em vez de serem simplesmente banidas, elas querem ser integradas.
A suposta proteção do mercado de trabalho para os naturais de um país começa a perder sentido porque o mercado de trabalho passa a ser mundial e esses nativos também estão sujeitos ao processo global e beneficiados por ele com mais ofertas de emprego e renda pelo mundo afora. A mão invisível, como diria Adam Smith, filósofo e economista escocês, é que vai regular esse mercado, como de uma certa forma distribuiu e regulou os povos em suas nações até hoje, quando desde os primórdios da civilização passaram a descobrir novas terras e a ocuparem o planeta.
Uma curiosidade é que os três principais países da Europa que recebem e também rejeitam migrantes (França, Espanha e Portugal) são os que mais se beneficiam do turismo para suas regiões e com isso mantêm os primeiros lugares de visitantes de todo o mundo. Logicamente, eles não vão tomar qualquer medida para desestimular o turismo com o intuito de reduzir a sua visibilidade e portanto o interesse dos clandestinos por seus territórios. Mas do jeito que vai, as medidas tomadas para desestimular o fluxo migratório poderão ensejar redução significativa do fluxo turístico com reflexos não muito estimulantes para as economias locais.
UPGRADE: Os migrantes, no mundo, são 191 milhões de pessoas, 3% da população do planeta, dos quais 95 milhões são mulheres, disse Patrick Taran, da Organização Internacional do Trabalho, durante o Seminário Internacional 'Os direitos humanos das pessoas migrantes nas Américas', realizado na Cidade do México, de 16 a 18 de junho. A informação é da Agência de Notícias ADITAL - Notícias da América Latina e Caribe.
SUGESTÃO DE PAUTA: Bibiana de Paula Friderichs

quarta-feira, 18 de junho de 2008

18 de junho de 2008: centenário da imigração japonesa no Brasil


Por Jorge Alexandre Machado

Era início do século XX, quando um grupo de 165 famílias japonesas (781 pessoas) desembarcou no Porto de Santos, com sonhos e um projeto de vida. O navio era o Kasato Maru e vinha do porto de Kobe, uma cidade japonesa na província de Hyogo, trazendo imigrantes para trabalhar nos cafezais do oeste de São Paulo. A data: 18 de junho de 1908, que ficou consagrada como o marco da imigração japonesa, decorrente de um acordo imigratório entre Brasíl e Japão.


O maior fluxo, no entanto, só ocorreu após a I Guerra Mundial, mais especificamente entre 1918 e 1940, quando cerca de 160 mil japoneses desembarcaram em solo brasileiro. Hoje já são mais de 1,5 milhão de japoneses e descendentes que vivem no Brasil, que desde os primeiros imigrantes, foram decisivos para a construção do país dos últimos cem anos. Aqui é a nação que abriga a maior quantidade de japoneses e descendentes fora do Japão.

Para participar das solenidades de comemoração do centenário da imigração um visitante ilustre. Chegou ontem a Brasília o Príncipe Naruhito, herdeiro do trono do Japão. Ele participará, na capital federal, do lançamento de selos comemorativos à chegada dos imigrantes. Depois, durante os nove dias de sua estada, segue para São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A princesa Masako, não pôde acompanhar o marido, pois está em tratamento médico devido a um "transtorno adaptativo", caracterizado por sintomas de ansiedade e estado depressivo.
O Brasil que acolheu e ainda acolhe imigrantes e turistas de todo o mundo é hoje conhecido pela diversidade de culturas e pela miscigenação que faz do país um lugar único, onde convivem todas as raças, sem conflitos ou xenofobia.


COLÔNIA JAPONESA NO BRASIL:
isseis (japoneses de primeira geração, nascidos no Japão) 12,51%;
nisseis (filhos de japoneses) 30,85%;
sanseis (netos de japoneses) 41,33%;
yonseis (bisnetos de japoneses) 12,95%

domingo, 15 de junho de 2008

Nascimento de Charles Darwin é comemorado em Brasília

Exposição em Brasília comemora 200 anos do nascimento do naturalista Charles Darwin. A mostra de fósseis primitivos fica na Esplanada dos Ministérios, na capital, até 20 de julho. Da América Latina, somente o Brasil receberá o acervo. Darwin formulou a teoria da evolução das espécies, que defendia a evolução a partir de um ancestral comum pelo processo de seleção natural.

Foto: Wilson Dias/Abr
Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Educação Corporativa une Brasil e Portugal

Por Jorge Alexandre Machado

Termina hoje, 12/6, o 1º Encontro de Educação Corporativa Brasil/Europa na Universidade Fernando Pessoa, em Portugal. O evento é promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), pela Universidade Fernando Pessoa, pela Associação Brasileira de Educação Corporativa (ABEC), pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), com apoio da União Européia.

Iniciado ontem, o evento, de acordo com os organizadores, tem como objetivo "debater a importância da internacionalização empresarial numa ligação estreita à Educação Corporativa como uma ferramenta para a concretização de estratégias e para a qualificação dos Recursos Humanos". O encontro aborda assuntos, tais como: estratégias para a internacionalização; formação e desenvolvimento de competências; recursos humanos; cooperação empresarial; sustentabilidade; comércio externo; e inovação. Quem participa do encontro são: empresários, administradores e gestores, além de profissionais das áreas de recursos humanos, formação, internacionalização de empresas e comercial, tanto brasileiros, quanto portugueses.

Vários casos práticos estão sendo apresentados como os da Petrobrás, Vale do Rio Doce, Datasul, Embraer, Grupo Salvador Caetano, Tam Linhas Aéreas, Ordem dos Engenheiros de Angola, entre outros.

Mas o que é educação corporativa e como surgiu? Segundo Jeanne Meister, Presidente da Corporate Universities Exchange: "É um guarda-chuva estratégico para desenvolvimento e educação de funcionários, clientes e fornecedores, buscando otimizar as estratégias organizacionais". A professora Kira Tarapanoff lembra que "a universidade corporativa surgiu como um desdobramento ou aprofundamento das atividades de treinamento dos Departamentos de Recursos Humanos nas empresas". Ela ainda acrescenta: " no início, o seu foco, nos Estados Unidos, foi o treinamento de seus empregados buscando a melhoria de habilidades porfissionais e a proficiência em sua atividade dentro da corporação (desenvolvimento de expertise)". Ela é, portanto, um instrumento para educação dos empregados, de olho na competitividade da empresa.

A primeira universidade corporativa foi lançada pela GE, em 1945 e ficou conhecida como Instituto General Motors, GMI. O seu primeiro curso foi o de graduação em engenharia e o sucesso da GE é por muitos atribuído ao sucesso de sua universidade corporativa.

Hoje as empresas buscam o modelo de organização focada no aprendizado e na gestão do conhecimento, que é todo o esforço empresarial para capturar a experiência coletiva e a sabedoria de uma organização, que estão na cabeça dos colaboradores, e disseminá-las para todos na empresa. Um instrumento eficaz para essa prática é a universidade corporativa, ao atuar como catalisadora das atividades de aprendizado individual e corporativo, como argumenta a professora.

A gerente de educação corporativa da Natura, Denise Asnis, afirma que o papel da Educação Corporativa em sua empresa "é desenvolver competências para o sucesso do negócio, criar modelos de aprendizagem baseados nas práticas do negócio e no dia-a-dia da empresa, pautar suas ações na gestão de competências empresariais e funcionais, disseminar nossas crenças e valores, aprimorar a cultura organizacional e formar indivíduos mais conscientes da importância de desempenhar bem seus papéis de cidadãos, profissionais e seres humanos".

Em Portugal, a Universidade Fernando Pessoa lançou, no ano passado, um novo conceito no âmbito da formação corporativa naquele país. A proposta é a criação de "universidades" no interior das empresas. O modelo consiste em estabelecer parcerias entre as empresas e a Universidade, para promover programas de formação adaptados à realidade de cada empresa. Em cada instituição é constituído um grupo de trabalho, formado por uma equipe de profissionais - da parte empresarial - e uma equipe de especialistas, na área da formação - da parte da Universidade. Analisadas, em conjunto, as necessidades, são desenvolvidos planos de estudo sob medida, alinhando perfil dos estudantes, objetivos estratégicos da empresa e particularidades do setor em que atua.


UNIVERSIDADE CORPORATIVA DO BANCO DO BRASIL

UNIVERSIDADE CORPORATIVA DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

UNIVERSIDADE FERNANDO PESSOA


SUGESTÃO DE PAUTA: Mônica Delicato (Porto, Portugal)

Por água abaixo

Por Jorge Alexandre Machado

A escassez de água atinge 29 países e 1,7 bilhão de pessoas, segundo informações da Agência Brasil. Até 2015, os especialistas afirmam que 40 países terão problema com a falta desse recurso natural. A agência informa, ainda, que 20% do desperdício é decorrente do uso humano.

No Brasil o desperdício anual é da ordem de 12,6 milhões de megawatts-hora. Essa energia daria para abastecer a cidade do Rio de Janeiro por um ano, conforme dados da Associação Brasileira das Empresas de Conservação de Energia (Abesco). De acordo com a entidade, o desperdício representa R$ 11,3 bilhões, dinheiro gasto a mais em energia do que seria necessário.

E adivinhem quem é o maior responsável pelo desperdício? De acordo com a entidade, o setor público – municipal, estadual e federal – é o que, proporcionalmente, mais gasta energia, sem necessidade: cerca de 40% dos gastos são para pagar a conta do desperdício.

De acordo com informações de Ricardo David, presidente da Abesco, à Agência Brasil, se todos os projetos do setor público voltados para a economia de energia fossem colocados em prática hoje, o país reduziria o desperdício em um ano em cerca de 300 megawatts-hora. Uma usina hidrelétrica com essa capacidade demoraria cerca de três anos para ser construída. “Ao invés de gerar energia nova, você tira o desperdício” diz David.

FOTO: Agência Brasil

VER VÍDEO DA AGÊNCIA BRASIL

domingo, 8 de junho de 2008

Precisa-se de catadores de e-lixo

Por Jorge Alexandre Machado

Existe um segmento, excluído da sociedade, que vai aos lixões separar papel, papelão, plásticos, vidros e outros objetos recicláveis para comercializar e assim obter renda para a sobrevivência própria e da família: são os conhecidos, mas ignorados, catadores de lixo.

Nem eles sabem, nem a sociedade entende, o valor que têm para a preservação do meio ambiente. Com a seleção do material, eles levam até as indústrias, para reciclagem, rejeitos que poderiam contaminar o solo e os lençóis freáticos ou ficar por muitos anos no meio-ambiente sem se degradar, como é o caso do plástico.

Mas tem uma categoria de lixo que começa a freqüentar os lixões e não faz parte dos materiais selecionados pelos catadores convencionais porque não se sabe muito bem o que fazer com esses dejetos, nem há indústrias para reciclá-los: são os e-lixos, como são atualmente conhecidos os resíduos ou sobras de equipamentos eletroeletrônicos que são descartados por estarem danificados, fora de uso ou obsoletos. Entre eles estão os televisores, computadores, Mp 3, pen drives, vídeos cassete, aparelhos de dvd, filmadoras, pilhas, baterias e uma variedade de aparelhos consumidos nos lares de um crescente número de famílias.

Para se ter uma idéia do volume de material que hoje entra no mercado e logo será sucata, só de aparelhos celulares vendidos este ano no Brasil estima-se 48 milhões, segundo projeção da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Computadores? espera-se plugar mais de 10 milhões.

De acordo com a ONG Greenpeace, anualmente, são descartados 50 milhões de toneladas de novos resíduos eletrônicos no mundo. Isso porque o ciclo de vida dos produtos está cada vez menor, ou seja, a tecnologia renova com tanta rapidez e o apelo ao consumo é tão grande, que os aparelhos são substituídos cada vez em um prazo menor.

Esses materiais no meio ambiente são prejudiciais ao solo, à água e ao ar, pelos metais pesados que contêm, tais como: o cádmio, o mercúrio, o chumbo, além dos gases como o clorofluorocarboneto, o CFC, somente para citar alguns. "Aparelhos como baterias de celular e pilhas contêm metais acumulativos como zinco, chumbo e aço que se tornam cancerígenos", declarou o químico Luiz de Souza ao Portal de Meio Ambiente. Ele ainda deixa um conselho: “As pessoas devem se conscientizar dos possíveis riscos à saúde e ao meio ambiente que o lixo tecnológico pode causar. Deve-se perder o hábito de jogá-lo por aí”.


Na Europa os fabricantes são obrigados, por lei, a recolher e reciclar equipamentos. Na Alemanha, por exemplo, os cidadãos são proibidos de jogar computadores no lixo comum. Aqui no Brasil, a maioria das empresas deixa os usuários sem saber o que fazer na hora de descartar os e-lixo.

A ausência de políticas públicas é responsável, por isso. Há mais de 15 anos, o assunto vagueia na Câmara dos Deputados e, atualmente, o projeto de lei 2061/07, do deputado Carlos Bezerra, tramita naquela Casa e estabelece critérios para a coleta, reciclagem e descarte de aparelhos eletrodomésticos, eletroeletrônicos e componentes que não possam ser utilizados. Se aprovada na forma proposta, a lei responsabilizará os fabricantes e fornecedores pela coleta, reciclagem e destino final de seus equipamentos. É claro que isso explica a demora na aprovação do projeto. Empresas e fornecedores não concordam em assumir esse ônus.

Mas enquanto se define responsabilidades e procedimentos, o que fazer com o lixo tecnológico? Os sites de leilão pela internet e as doações a instituições de caridade são uma boa forma de “despachar” os objetos indesejados. O comerciante Ademir Fernandes, 37, encontrou uma solução para ficar livre de algumas velharias eletrônicas. Ele anunciou em um site de compra e venda. "Vendi dois computadores por menos da metade do valor que eu paguei há três anos. É pouco, mas é melhor do que nada", disse no site da CIMM.

O que se conclui é que as toneladas de lixo tecnológico que vão para os aterros e lixões todos os anos carecem de seleção para posterior reciclagem. De um lado faltam catadores de lixos tecnológicos e a sua ausência é pela falta de empresas que comprem os produtos para posterior reutilização ou reciclagem. De outro falta regulamentação para que tudo isso aconteça. Só o que não pode faltar é a consciência cidadã, que mesmo em meio a essas indefinições deve encontrar alternativas que ajudem a preservar o meio ambiente e a própria saúde da população. Não se pode é achar que esse lixo seja como aquela nossa lixeira eletrônica do mundo virtual que, ao clicarmos, o conteúdo é esvaziado e os assuntos deletados sem qualquer conseqüência para o mundo real.




SUGESTÃO DE PAUTA: Lívia Dantas

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Surfistas de sofá

Por Jorge Alexandre Machado

Viajar de férias nem sempre é compatível com o orçamento doméstico de muitos trabalhadores. A saída, para a maioria, é se sujeitar a parcelamentos que quase sempre duram até a próxima viagem. Mesmo com todas as facilidades de crédito e de parcelamento, para muitos, ainda é inviável arcar com despesas de passagens e hospedagens, especialmente em períodos considerados de alta temporada, que geralmente coincidem com os das férias escolares.

Além disso, cresce o número de turistas solitários. Aqueles que viajam em busca de novas culturas, conhecimento e diversão, mas, desacompanhados, sentem a falta de amigos ou companheiros para compartilhar os momentos de descontração e lazer.

Isso talvez explique por que aqui no Brasil, de acordo com os dados do Ministério do Turismo, os viajantes prefiram a casa de amigos e de parentes. Lá encontram, além de abrigo, o envolvimento necessário para aproveitar bem a estada. Mas e onde não há familiares, nem conhecidos para usufruir desse aconchego?

Para superar esse problema é que surgiu o couchsurfing, ou surfando no sofá, em uma tradução livre. O surf de sofá é um serviço de hospitalidade oferecido pela internet, com o objetivo de integrar pessoas e localidades internacionalmente. Em abril já contava com mais de 500.000 membros de 226 países.

No couchsurfing, as pessoas oferecem as residências como alojamento para os visitantes cadastrados no site. O sistema avalia perfis, referências pessoais, entre outros métodos, para proporcionar segurança aos membros da comunidade. Além de ser um serviço gratuito, tanto na inscrição, quanto na hospedagem, a idéia promove o intercâmbio de culturas e de conhecimentos e permite a inclusão no mercado turístico daqueles que não têm condições de conhecerem outras localidades pelos meios convencionais.

É missão do couchsurfing participar da criação de um mundo melhor. "Fazemos do mundo um lugar melhor, abrindo nossas portas, os nossos corações e as nossas vidas", revela o site da comunidade. Acrescenta, ainda, que "o couchsurfing quer mudar não só a maneira como viajamos, mas também a maneira como nos relacionamos com o mundo".

O projeto nasceu da criatividade e percepção de Casey Fenton. Esse americano, hoje com 30 anos, em maio de 2002, conseguiu uma passagem barata para passar um fim de semana na Islândia. Após adquirir o bilhete, Fenton se deparou com um problema "o que eu faria quando chegasse lá. Ficaria em um hotel? Um albergue?". Então pensou em contatar alguém pela internet para ver "se poderia ficar com ele e dormir em sua casa". Conseguiu 1500 e-mail de jovens estudantes da Universidade da Islândia e mandou uma mensagem personalizada dizendo que estava chegando na Islândia e estava à procura de um local para ficar. Recebeu cerca de 100 respostas oferecendo hospedagem em casa. Foi assim que surgiu a idéia de um site que pudesse organizar o intercâmbio de casas para hospedagem de membros da comunidade.

Mateus Fernandes, 26, reside em Brasília e é membro da comunidade. Na página pessoal no couchsurfing, ele oferece "dois sofás macios", em seu pequeno apartamento, no plano piloto da Capital, e ainda visita guiada que costuma fazer com alguns amigos. Mateus é formado em tecnologia da informação e filosofia e declara: "adoro viajar e conhecer pessoas e suas interessantes histórias de vida".

Quem já se hospedou com o brasiliense dá boas referências. É o caso de Sérgio Morales. Na página do site, ele elogia Mateus e diz que o anfitrião procura ajudar em todas as situações, além de explicar tudo sobre a cidade. O couchsurfer agradece e diz que ele é sempre bem-vindo à Guatemala, seu país de origem. Já Mateus dá diversas informações sobre as casas onde se hospedou. Entre elas, avalia a de Livia e comenta: "Livia me recebeu em Saint Martin e, além de dar boas dicas de programas e restaurantes na cidade, tirou um tempo de folga para um encontro no carnaval local e um bate-papo na praia. Seu companheiro, Gauth, num lindo esforço de falar português e trocar uma idéia, também aproveitou sua folga pra mostrar algumas praias e curtir um bom papo".

Mas se mesmo na casa de amigos e parentes nem sempre tudo são flores, nesse sistema podem ocorrer problemas de relacionamento. Leonardo Andreucci, 25, relata um momento constrangedor que passou na Irlanda, mas acrescenta que não foi nada tão traumático:"O irlandês que me hospedou em Dublin era um pouco estranho. Ele fazia tanta questão de agradar que era um pouco inconveniente, mas acho que era o jeito dele".

No entanto, há quem de forma alguma admita oferecer o seu sofá para um estranho. Cláudia Carmelo, em seu blog Viajeaqui é taxativa: "dormir de graça no sofá de alguém cujo contato mais próximo que tive é uma foto e um perfil num site de relacionamentos turísticos... Desculpem a falta de sensibilidade, de idealismo, de romantismo, de jogo de cintura, de capacidade de ser uma verdadeira viajante free spirit... Mas eu tô foríssima!". Alega ainda "não ser tão sociável assim" e acordar de mau-humor pela manhã.

Parece que as opiniões são apaixonadas. Ou se gosta intensamente do sistema ou se rejeita com o mesmo vigor. Porém, um comentário de Angélica no site de Cláudia, talvez explique tudo isso: "O máximo do ser humano é a diversidade!!! São as diferenças que tornam nossa existência tão interessante. Por isso, Cláudia, relaxe... eu entendo vc... E já que vc perguntou, discordo de vc! Já dividi "sofá" como hóspede e como anfitriã e em todos os casos as experiências foram positivas".



SITES RELACIONADOS

http://www.couchsurfing.com/
http://www.hospitalityclub.org/
http://www.globalfreeloaders.com/

SUGESTÃO DE PAUTA: Ivy Ticiane

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Rio mais perto de sediar as Olimpíadas de 2016

Por Jorge Alexandre Machado

O Comitê Olímpico Internacional, em Atenas, na Grécia, anunciou hoje que o Rio de Janeiro é uma das quatro cidades que disputarão a fase final para a escolha da sede das Olimpíadas de 2016. As concorrentes são Chicago (Estados Unidos), Tóquio (Japão) e Madri (Espanha).


O Ministro do Esporte, Orlando Silva, em entrevista à Agência Brasil, declarou que "realizar no Rio de Janeiro os Jogos Olímpicos de 2016 vai permitir multiplicar as conquistas dos Jogos Pan-Americanos. Primeiro, será uma promoção enorme para o Brasil, que tem crescido na área de turismo. O sonho olímpico de 2016 vai permitir multiplicar a promoção do Brasil no mundo, dos nossos destinos turísticos, belezas naturais, tradições culturais, inclusive, mostrando para o mundo a nossa competência".

Os investimentos para a realização dos Jogos Pan-Americanos garantiram ao Rio de Janeiro instalações compatíveis com o padrão olímpico. Nesse item, o Rio não precisará de gastos adicionais, a não ser algumas reformas, porém será necessário investir em infra-estrutura, especialmente no aperfeiçoamento do sistema de transportes públicos, dos serviços de saúde e da segurança, como reconheceu o Ministro. Tudo isso tem que acontecer até pelo menos 2014, quando o Brasil sediará a Copa do Mundo de futebol.

Essa é a terceira vez que o Rio de Janeiro concorre à cidade-sede das Olimpíadas. Para os jogos de 2004 e 2012, ele não passou da primeira avaliação. A escolha final será feita no dia 2 de outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca.