sexta-feira, 29 de agosto de 2008

População do Brasil deixa de crescer em 2040

O IBGE divulgou hoje as estimativas das populações dos 5.565 municípios brasileiros em 1º de julho de 2008. O Brasil atingiu 189.612.814 cidadãos residentes. O número dobrou, em relação ao número de brasileiros do início da década de 70, pouco mais de 30 anos. Mas a previsão para daqui a 32 anos é de que a população deixe de crescer ao atingir 220 milhões, conforme prevê o coordenador de População e Indicadores Sociais do IBGE, Luiz Antônio Pinto de Oliveira.

Os seis municípios mais populosos foram São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Fortaleza e Belo Horizonte. A capital federal, que estava em sexto lugar em 2000, subiu para quarto, com uma população estimada em 2,5 milhões. Belo Horizonte de quarto, em 2000, caiu para sexto, com 2,4 milhões, Os municípios menos populosos foram Borá em São Paulo com 884 habitantes e Serra da Saudade em Minas Gerais, com 889. As regiões com maior população são a Sudeste que tem 80,2 milhões de pessoas e a Nordeste, com 53 milhões.

Esse cenário será decorrente da queda da taxa de filhos por mulher, conhecida como taxa de fecundidade. Hoje a média é de 2 filhos por mulher. A previsão é de que em 2040 seja de 1,5. São Paulo e Rio de Janeiro já tem hoje taxas de fecundidade baixas e população mais idosa. No entanto, Brasília deverá crescer. "Brasília vai continuar crescendo, tem espaço para crescer e ela vai chegar daqui a 10, 15 anos a ser a terceira cidade do País em termos demográficos", afirmou Oliveira.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Sapo-cururu pode ser a arma contra a leishmaniose

Foto: Agência FAPESP
Por Jorge Alexandre Machado

Dois esteróides foram isolados por cientistas dos institutos Adolfo Lutz e Butantan, a partir das toxinas da pele do sapo-cururu, e se mostraram eficazes para matar o parasita causador da leishmaniose, segundo a Agência de Notícias FAPESP.
A leishmaniose ou leishmaníase ou calazar ou úlcera de Bauru é provocada por parasitas unicelulares chamados Leishmânia. A doença pode ocorrer sob a forma visceral, que ataca os orgãos internos, cutânea, que atinge a pele, e mucocutânea, que invade, além da pele, as mucosas.
A leishmaniose visceral é fatal em mais de 90% dos casos sem tratamento e está avançando no Brasil. É o segundo maior assassino parasitário no mundo, depois da malária. A doença é transmitida pela picada de mosquitos hospedeiros do parasita Leishmânia. O inseto se contamina ao sugar o sangue de mamíferos infectados e, ao picar um animal ou pessoa sadia, injeta os parasitas.
O estudo, coordenado por André Tempone do Instituto Adolfo Lutz, isolou dois esteróides ativos, encontrados no veneno do sapo, capazes de destruir a Leishmânia sem causar danos às células dos mamíferos. Além disso, uma das moléculas também mostrou que é capaz de matar o Trypanosoma Cruzi, causador da doença de Chagas. "A glândula parotóide do sapo conta com uma quantidade imensa de veneno, que tem uma toxicidade imensa. Mas, com a purificação da molécula ativa, eliminamos a parte tóxica e testamos o elemento ativo no parasita", disse Tempone à Agência FAPESP.

domingo, 3 de agosto de 2008

Pesquisa mostra que brasileiro é o povo que menos confia

Por Jorge Alexandre Machado


Algumas nações do mundo são estereotipadas pelas características marcantes atribuídas aos seus habitantes. Aqui no Brasil esses estereótipos são evidenciados em piadas, contadas de norte a sul do país. Quase todos que migraram para cá e ajudaram a construir a nação brasileira não escapam das histórias engraçadas ou não, mas que dão o tom jocoso do brasileiro, esse talvez o seu maior estereótipo mundo afora.

Conta, portanto, uma anedota popular que existe um país em que cada criança recebe uma lição paterna inesquecível. Quando ainda nem consegue andar seguramente, o pequeno é colocado em cima de uma mesa e estimulado a saltar para os braços do, aparentemente, afetuoso pai. Após reunir a coragem suficiente, a criança se lança e, incrédula, vê o que deveria ser o seu maior protetor se afastar e deixá-la cair totalmente desamparada no solo, que é o único a acolhê-la e a ensiná-la sobre as dores físicas do tombo. Já, também, com marcas emocionais profundas ouve o primeiro conselho de seu orgulhoso mestre: Nunca confie em ninguém. Nem mesmo em seu pai.

Mas estudos do diretor-fundador e professor de economia do Centro de Estudos em Neuroeconomia da Claremont Graduate University, nos Estados Unidos, Paul J. Zak, divulgados pela revista Scientific American, podem fazer com que os brasileiros passem a ser objeto da anedota. É que, segundo o periódico, levantamento internacional revela que os brasileiros são os que confiam menos.

Nos últimos anos, pesquisadores têm se esforçado para entender como o cérebro humano decide em quem confiar. Paul J. Zak revela que a oxitocina, “uma simples molécula ancestral produzida no cérebro, desempenha um papel fundamental nesse processo”. As descobertas contribuem para o conhecimento das causas e os tratamentos das doenças marcadas por disfunções na interação social, de acordo com o artigo.

O professor conta que “em 1998, Stephen Knack, economista do Grupo de Pesquisas do Banco Mundial do Desenvolvimento, e eu começamos a investigar por que a confiança entre as pessoas varia dramaticamente de país para país”. Sua conclusão é que a confiança pode ser um fator indicativo da riqueza de um país. Por isso, nações com baixo nível de confiança caminham para a pobreza. Isso porque os habitantes, desconfiados, se dedicariam menos a investimentos de longo prazo, que criam empregos e aumentam salários.

A oxitocina é uma pequena proteína, ou peptídeo, produzida no cérebro, onde tem a função de molécula sinalizadora – um neurotransmissor. Pesquisa com animais indica que a oxitocina facilita a cooperação em certos mamíferos, e que “um parente próximo”, a vasotocina, parece também promover interações amigáveis. Zak acredita que sinais sociais não-ameaçadores induzem a produção de oxitocina no cérebro e, portanto, se questiona “se nos humanos a abordagem de estranhos que oferecem sinais positivos pode estimular a liberação de peptídeos nos outros”. Segundo a revista Scientific American “está demonstrado que os níveis de oxitocina atingem o pico em homens e mulheres durante o clímax sexual. A sua presumida importância na afeição após o ato sexual rendeu-lhe o apelido de ‘hormônio do afeto’.”

Se a produção de oxitocina tem a ver com os sinais positivos emitidos pelas pessoas por que então os brasileiros são os últimos na lista que mede os níveis de confiança em diversos países? A considerar os fatos políticos e sociais dos últimos anos temos motivo de sobra para até zerar a produção do tal hormônio. Em tempos de eleições é bom ficarmos mais atentos, pois sobram sinais positivos de quem nessa época diz ser capaz de resolver todos os problemas e busca de todas as formas aumentar ao máximo o nosso nível de oxitocina. Mas pelo menos nesse momento temos que fazer valer o nosso novo estereótipo de os maiores desconfiados do mundo e procurar eleger quem realmente mereça a tão desejada confiança. Assim, passado o escrutínio, poderemos produzir ao máximo o peptídeo para que, se a premissa do estudioso estiver correta, se possa acreditar no país e fazê-lo crescer rumo à riqueza.


PESQUISA NÍVEL DE CONFIANÇA