sábado, 29 de novembro de 2008

Santa Catarina à espera de donativos

Foto: Wilson Dias/ABr
Por Jorge Alexandre Machado

Com 27.410 desalojados e 51.297 desabrigados, várias cidades de Santa Catarina estão à espera de donativos para distribuir às vítimas do temporal que provocou mortes, alagamentos e deixou milhares de famílias sem lar.

Até hoje (29), segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, o saldo é de 109 mortos, 19 pessoas desaparecidas e muita destruição em vários municípios. Ilhota e Blumenau são os municípios com o maior número de óbitos registrado: 37 e 24, respectivamente. O governo decretou estado de calamidade pública em 14 municípios: Benedito Novo, Blumenau, Brusque, Camboriú, Gaspar, Ilhota, Itajaí, Itapoá, Luis Alves, Nova Trento, Pomerode, Rio dos Cedros, Rodeio e Timbó. No total, 1,5 milhão de pessoas sofreram os efeitos das chuvas no Estado.

Em Brasília, a campanha “SOS Santa Catarina, Brasília Solidária”, promovida pela Defesa Civil do Distrito Federal, já arrecadou duas toneladas de doações. Lançada no dia 27, a iniciativa também contou com o apoio da Polícia Militar, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros e da Cruz Vermelha. “A campanha mal começou e nós já temos mais de duas toneladas em alimentos, roupas, calçados e materiais de higiene pessoal, arrecadadas de ontem para hoje”, informou a gerente de proteção comunitária da Defesa Civil, Edna Gonçalves.

No Distrito Federal, há postos de arrecadação em todas as cidades satélites e no Plano Piloto. De acordo com a Defesa Civil, as doações podem ser entregues em todos os quartéis da Polícia Militar, delegacias, unidades do Corpo de Bombeiros, estações do metrô, unidades do Serviço Social do Social do Comércio (SESC) e Administrações Regionais do Governo do Distrito Federal, além dos postos Na Hora (serviço do GDF criado para atendimento ao cidadão).

No Rio de Janeiro, um grupo de escoteiros de Copacabana, distribui panfletos, pedindo a população que faça doações. Eles pedem água potável, alimentos não perecíveis, além de roupas e agasalhos e material de higiene pessoal. Somente na sexta-feira (28), foram enviadas quatro toneladas de donativos. Além dos alimentos, uma carreta partiu do Rio de Janeiro também levando roupas, brinquedos e eletrodomésticos.

São Paulo também dá sua contribuição. Partiram hoje (29), da capital paulistana, cinco caminhões carregados de doações. São 26 mil litros de água, 26 mil peças de vestuário, 500 cobertores, três mil quilos de alimentos e três mil produtos de higiene pessoal. A Sabesp enviou, na última quinta-feira, 27, cerca de 48 mil litros de água. Já a TV Cultura promove no próximo domingo (30), das 20h às 22h, no Anhembi, um grande show aberto ao público. O "SOS Santa Catarina"reunirá grandes nomes da MPB que solicitarão doações de cobertores e garrafas de água.

Segundo a Defesa Civil, a arrecadação em dinheiro já contabiliza R$ 3 milhões, mas os prejuízos só com o turismo estão estimados em R$ 120 milhões. A Defesa Civil de Santa Catarina orienta as pessoas dispostas a realizar doações para as vítimas das chuvas no Estado que dê prioridade aos alimentos que não precisam de preparo. Além de comida também são necessários água, roupas, sapatos, cobertores, colchões, fraldas e material de higiene.

Informações sobre a situação das rodovias estaduais podem ser obtidas pelo site do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual ou pelo número 198. As condições da BR-101 podem ser verificadas gratuitamente pelo telefone 0800 603 0101.


SERVIÇO:

Informações da Defesa Civil

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Crianças agredidas se sentem culpadas

Por Jorge Alexandre Machado

Um estudo da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), da USP, conclui que as crianças se acham culpadas pelas agressões sofridas, mesmo quando não fizeram nada. Segundo a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), na maioria dos casos de violência doméstica contra a criança, a mãe é a principal agressora. “Já os motivos da violência são vários: os pais descontam nos filhos seus traumas, problemas e frustrações. A violência é uma forma de tentar extravasar os problemas e o estresse da vida”, comenta a historiadora Mirian Botelho Sagim.

Conforme relata a ANDI, a tese de doutorado apresentada por Mirian analisou a violência contra crianças e adolescentes no ambiente familiar. Ela mostra que as agressões no ambiente familiar podem ter consequências na vida fora de casa e que as crianças e adolescentes agredidos tornam-se pessoas violentas. A criança considera aquilo normal, "pois não tem modelos positivos em casa como referência".

A pesquisadora avalia que "alguns casos de agressões crônicas evoluem para um quadro de tortura, no qual o pai ou a mãe agressores usam de métodos hediondos para punir os filhos. São casos de queimaduras, choques elétricos, instrumentos de tortura, crianças amarradas, acorrentadas, entre outros. Muitos deles acabam no hospital, com fraturas, queimaduras e traumas profundos".

Outro ponto observado é que o impacto da violência psicológica é muito maior do que a agressão física. "A violência física dói, mas passa, e a criança acaba esquecendo. Já a violência psicológica fica na memória e a criança carrega consigo por muito tempo", esclarece Mirian.

Ela acredita que a formação de grupos de apoio à família, atuando nos bairros, evitaria o agravamento do problema. Segundo a pesquisa, "a conversa é uma das melhores formas de tratar o problema. As crianças e adolescentes entrevistados afirmam que o dia mais feliz do ano é, nesta ordem, o Natal e o dia em que não apanham".

A quantidade de episódios de violência contra a criança assusta, mas a prevenção não existe, só se atua quando há denúncias, maus-tratos, ou até mortes e, nesse caso, nada mais se pode fazer. Quem sabe chegará o dia em que no pré-natal, além dos exames de praxe, os pais serão submetidos a avaliação psicológica e se houver indícios de comportamentos tendentes à violência eles sejam submetidos a tratamento e acompanhados para a proteção dos que são os maiores alvos da agressão doméstica e ainda se sentem culpados por isso.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sonda em órbita de Júpiter

Ilustração: Nasa/JPL
Por Jorge Alexandre Machado

A agência espacial norte-americana, Nasa, divulgou uma nova missão com o objetivo de estudar o maior planeta do Sistema Solar: Júpiter. Ela lançará a sonda Juno em agosto de 2011, no Cabo Canaveral, na Flórida que deverá chegar ao planeta em 2016. Em um ano serão 32 órbitas em volta de Júpiter, a cerca de 4,8 mil quilômetros acima da camada de nuvens mais alta.

A densa cobertura gasosa de Júpiter esconde segredos dos processos e das condições fundamentais verificadas nos primórdios do Sistema Solar. “Júpiter é o arquétipo dos planetas gigantes em nosso Sistema Solar e se formou muito cedo, capturando grande parte do material que sobrou após a formação do Sol. Diferentemente da Terra, a gigantesca massa de Júpiter permitiu que o planeta mantivesse sua composição original, o que nos oferece uma excelente maneira de traçar a história do Sistema Solar”, disse Scott Bolton, principal pesquisador da missão no Instituto de Pesquisa Southwest, em San Antonio.

Os astrônomos querem investigar a possível existência de água, além de explorar a campo magnético do planeta e a constituição química de sua atmosfera. Como o Sol, Júpiter é composto principalmente de hidrogênio e hélio.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Amazônia a caminho da desertificação

Por Jorge Alexandre Machado

Se houver desmatamento de mais 30% na Amazônia, as mudanças no bioma serão irreversíveis, com a extinção da parte oriental da floresta. Hoje cerca de 20% da cobertura original já foi destruída. A informação é da Agência FAPESP, baseada em um novo modelo desenvolvido no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O modelo foi defendido na tese de doutorado de Gilvan Sampaio, em março, no Inpe, e apresentado pelo pesquisador, na semana passada, na Conferência Internacional Amazônia em Perspectiva, em Manaus.

Sampaio avalia que, se o desmatamento chegar a 50% da área original da Amazônia, a região leste da floresta se transformará em savana e o Nordeste do país também sofrerá impactos, com avanço acelerado da desertificação. “Descobrimos que um desmatamento acima de 50% estabeleceria um novo estado de equilíbrio na Amazônia, dando ao bioma uma configuração irreversível. Essa cifra representa a transição para um ponto sem retorno”, disse Sampaio à Agência FAPESP.

Estudos não faltam para alertar sobre o perigo do desmatamento que cresce de forma acelerada na Região Amazônica, o que faltam são ações concretas para deter esse processo desenfreado. Enquanto isso, as autoridades parecem não querer enxergar a dimensão do problema e até tentam convencer a sociedade de que o desmatamento está diminuindo ou segue sob controle. Talvez estejam vendo miragens que, é bom lembrar, são típicas de paisagens desérticas.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Alta do dólar reduz viagens ao exterior

Por Jorge Alexandre Machado

Com a alta do dólar os brasileiros estão viajando menos para o exterior. É o que fica evidenciado nos dados do Banco Central do Brasil que mostram gastos de US$ 774 milhões, em outubro, enquanto no mês de novembro, até hoje (24), as despesas estão em US$ 435 milhões.

Comparadas com outubro de 2007, houve redução nas despesas de 15% . Considerando ainda o aumento de 10% nas receitas (gastos de estrangeiros no Brasil), na mesma comparação, os resultados da conta de viagens internacionais, negativa em US$ 295 milhões em outubro, caiu para US$ 113 milhões, pelos números parciais do mês de novembro. No acumulado, de janeiro a outubro, a conta de viagens ficou negativa em US$ 4,948 bilhões, contra US$ 2,576 bilhões no mesmo período de 2007.

Com a desvalorização do real, em relação ao dólar, o mercado de turismo espera crescimento nas viagens pelo Brasil, seja de estrangeiros ou mesmo de brasileiros que estão avaliando que, no momento, conhecer o país passou a ser a melhor opção.

domingo, 23 de novembro de 2008

Coração exige boa música

Por Jorge Alexandre Machado


A música pode fazer bem ao sistema cardiovascular, mas para isso tem que ser do gosto do ouvinte. A conclusão é de um estudo feito por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Maryland, em Nova Orleans.

Isso ficou evidenciado quando voluntários escolheram músicas que lhes davam sensação de bem-estar. O resultado foi a dilatação dos vasos e o aumento do fluxo sangüíneo. Já as “estressantes” produziam contração dos vasos e redução no fluxo sangüíneo. “Havíamos demonstrado anteriormente que emoções positivas, como o riso, são boas para a saúde vascular. Desta vez, decidimos verificar se outras emoções, como as evocadas pela música, teriam efeito semelhante”, comentou Michael Miller, professor da Escola de Medicina da Universidade de Maryland e um dos autores do estudo.

De acordo com a agência FAPESP, o estudo mostrou que "o diâmetro dos vasos sangüíneos analisados aumentou 26% após a fase de audição de músicas alegres e contraiu 6% após os voluntários ouvirem música que os deixavam ansiosos. O aumento foi maior do que nas fases de relaxamento (11%) e de assistir a vídeos que estimulavam risadas (19%)".



Com o lixo musical que anda circulando por aí, é bom tomar cuidado porque agora sabemos que além dos ouvidos as baixarias podem fazer mal também ao coração.