quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

ARRUMA A CASA QUE VEM VISITA

Por Jorge Alexandre Machado

Ditam os velhos costumes que quando vamos ter visita em casa, por alguns dias, devemos correr para arrumá-la. Quartos, salas, cozinhas e banheiros não escapam da preocupação em estarem adequados para impressionar e manter nossos hóspedes satisfeitos. Até aquele quartinho da bagunça fica com ares de cômodo de primeira linha. Afinal, a nossa imagem está em jogo e o retorno deles na próxima ocasião ainda nos dá a oportunidade de ganhar a briga com os parentes e amigos, verdadeiros concorrentes, pela estadia dos visitantes.


Mas o Brasil parece não ter aprendido com a população essa prática tão simples e tão eficaz no que se refere a ser hospitaleiro. Promove-se um esforço enorme para atrair turistas estrangeiros para o país, aliás um trabalho impecável e de extremo profissionalismo, mas não se dá a devida importância às condições internas para recebê-los, nesse caso um descuido que beira o amadorismo. E vem aí a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A infra-estrutura turística é sofrível, a começar pelas estradas que em sua maioria estão em condições péssimas ou ruins. Ainda no item transportes, as condições dos aeroportos são de extrema gravidade. Em Congonhas tudo vai bem, mas o perigo é iminente. Em Guarulhos, onde está a tão prometida ampliação? E a capacidade dos aeroportos para o crescente aumento de turistas está compatível com os projetos em andamento? E existem projetos?

Percorrendo as cidades, onde está a sinalização turística? É tão pouca e ineficaz que pode se dizer inexistente. A segurança, ou a falta dela, é fator de risco para os nossos desejos de incrementar o turismo receptivo. Proteger, pelo menos nossos visitantes, deveria estar presente na política nacional para o turismo. Por falar nisso, talvez os nossos turistas precisem de equipamento médico-hospitalar. Esse item também não resiste a uma avaliação por mais superficial que se faça. Não precisamos nem falar do saneamento. Quando chove fica evidente nossas deficiências e tudo vai por água abaixo. E vem a febre, a dengue e outras doenças que sangram os propósitos de se acolher um crescente número de viajantes, ávidos por qualidade no lazer.

A infra-estrutura, juntamente com os atrativos, equipamentos e serviços turísticos, constitui a oferta turística que, como qualquer produto, tem que satisfazer as necessidades dos clientes, sob pena de perdermos para outros destinos concorrentes e ainda sermos alvos de informações negativas por parte daqueles eventualmente (ou quase sempre) insatisfeitos.

Esse cenário, digno de atenção especial das autoridades governamentais, nos faz entender por que o Brasil, de dimensões continentais e atrativos exuberantes, está muito aquém em número de turistas, comparado aos países que arrumaram a casa para receber os visitantes. Por outro lado, essa preocupação com a hospitalidade talvez também explique por que a maior parte dos turistas, segundo dados do Ministério do Turismo, prefere a casa de amigos ou parentes e os estrangeiros outras paragens.

sábado, 23 de maio de 2009

Educação Corporativa na Universidade Fernando Pessoa

Por Jorge Alexandre Machado

A Universidade Fernando Pessoa lança oferta da UFP CORPORATE EDUCATION para 2009/2010. Dia 26 de Maio fará apresentação pública dos cursos, no Salão Nobre da UFP-Porto (pode ser acompanhada via internet, em live streaming), às 18h00.


Programação:

18:00 horas – Sessão de Abertura com breve apresentação da UFP CORPORATE EDUCATION;

18:15 mins Apresentação dos parceiros e respectivas assinaturas de protocolos, com as entidades;

18:45 mins Apresentação das Ofertas de Educação Pós-Graduada.

Para a UFP, "um projeto de educação corporativa começa sempre pela existência de uma parceria entre a Universidade e uma organização (empresarial, estatal, municipal, associação representativa de determinado sector, etc.) que acredita na importância da qualificação dos seus recursos humanos como forma de ganhar competitividade".

As confirmações de presença (física ou via Internet) poderão ser efetuadas nos telefones 225071365 ou 932652675, ou ainda pelo email licinia@ufp.edu.pt





Fonte: Alice Gonçalves (Portugal)





sexta-feira, 1 de maio de 2009

Além de febre, tosses e espirros

Por Jorge Alexandre Machado

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou hoje que o número de casos oficialmente confirmados de contágio pela gripe suína é de 331, espalhados em 11 países, e já causou 10 mortes até agora.

Os Estados Unidos têm 109 casos e uma morte e o México, 156 e 9 mortes. Outras incidências da doença foram confirmadas na Áustria (1), Canadá (34), Alemanha (3), Israel (2), Holanda (1), Nova Zelândia (3), Espanha (13), Suíça (1) e Grã-Bretanha (8).


Mais do que espirros, tosses e outros desconfortos, o vírus, referido pela OMS, como influenza A (H1N1), tem feito muitos estragos pelo mundo também no processo de desenvolvimento, que vinha acelerado pela globalização. Antes da praga, o planeta parecia caminhar para a tão sonhada aldeia global: comércio livre entre países, turismo crescente, migrações e emigrações. Agora, após o nível de alerta 5 (pandemia iminente), o quadro é de medo generalizado que passou a criar até um novo acessório unissex, cada vez mais procurado, para uso diário: a máscara.


O pânico tem gerado uma febre de medidas que leva à “desglobalização”, como o fechamento de aeroportos, proibição de ir e vir, restrições ao comércio de alimentos, especialmente da carne de porco e mais xenofobia. Se não bastasse a crise financeira mundial, que por sinal nem se fala mais tanto, os “sintomas” dessa nova doença no cenário mundial é de retração, atraso, problemas nas relações interpessoais, além do agravamento da crise econômica em diversos países, como o México. A crise financeira e a Influenza têm intimado o mundo a se rearranjar e reinventar.


Além de vacinas e remédios para tratamento do mal nas pessoas, há que se atuar também na prevenção dos efeitos devastadores que esse vírus pode causar na humanidade, no que se refere ao processo de evolução, de desenvolvimento econômico e, principalmente das relações humanas. De outra forma, o surto pode passar, mas deixará, uma população de mascarados, com lembranças vivas de uma Influenza altamente negativa em nossa história.


A primeira coisa a fazer, talvez seja a conscientização de todos sobre esses outros efeitos da gripe, chamada suína, que não são detectados clinicamente. Por isso tenho fé na internet e nas redes sociais.


SAIBA MAIS

domingo, 19 de abril de 2009

Brasília, meu destino

Foto: Luciana Machado
por Jorge Alexandre Machado
REEDIÇÃO EM HOMENAGEM AOS 50 ANOS DE BRASÍLIA


O asfalto parecia rolar velozmente sob meu olhar estático e distante, enquanto os pensamentos ricocheteavam entre as imagens de um Rio de Janeiro que ia ficando pelo caminho e uma cidade tão longe e desconhecida que assombrava os meus sonhos adolescentes.

Entardecia, quando olhei para a porta do ônibus, antes de embarcar naquela viagem insólita, e estremeci ao acompanhar o motorista selar o meu destino em tinta branca: RIO/BRASÍLIA. Quando virou para mim, eu senti escárnio em seu sorriso. O que seria de mim? pensava. O que seria do Rio de Janeiro sem mim, pretensioso, me perguntava. O que seria Brasília? calculava.

Sabia só que era a capital inacabada de um país torturado e emudecido pela ditadura daqueles anos 70 que começavam. De imagens, só aquelas da inauguração da cidade na Revista Manchete. Ali, o Congresso, com seus pratos fundos, era uma obra que me enchia de admiração e respeito. Ao lado, o fundador, com seu sorriso largo e os olhos cerrados, parecia não querer encarar o que fez comigo e com o Brasil. Capital é o meu Rio de Janeiro, esculachava-o.

Na serra de Petrópolis pude conhecer e admirar a mata atlântica, não só pela beleza da floresta nativa, mas pela garra em ainda resistir em suas raízes e não sair de lá. Dentro do ônibus, os passageiros se tornavam mais íntimos e muitos planos eram arquitetados em uma babel ensurdecedora. A esperança na nova terra era o único tom que parecia inteligível naquela algazarra sem fim.

Em Juiz de Fora, ao descer na primeira parada e olhar ao redor, senti no solo mineiro a sensação de liberdade que acho que só os viajantes conhecem bem. A liberdade de ir, ainda que não voltem. A liberdade de descobrir, a liberdade de conhecer, a liberdade de mudar.

O queijo de João Pinheiro, saboreado no balcão da mercearia, em meio a um “causo” contado pelo comerciante, com sotaque que mais parecia língua estrangeira, mexeu com minhas certezas e arrogâncias. Havia um mundo além de mim, além do meu, estrada-além.

Reembarquei já com gosto de viagem. Atrás de mim um garoto recém-entrado na adolescência não parava de citar as capitais de quase todos os países do mundo e as alturas dos picos mais esdrúxulos e desconhecidos de meu universo cultural. Como ele conhecia tudo isso, guardava na cabeça e ainda vociferava impune? entediado, eu me indagava.

Ao passar por Belo Horizonte, resolvi fazer comigo um jogo de observação das pessoas que no quadro da janela se multiplicavam. Elas, indiferentes à minha sorte, transitavam suas vidas naquelas avenidas largas, naquela manhã que também clareava a minha mente para as diferenças culturais e para a diversidade desse país que havia horas eu percorria extasiado.

Paracatu foi a última parada. O momento em que meu coração disparou ao me dar conta de que, na próxima descida, meus pés já incrivelmente intumescidos fincariam definitivamente na nova capital. Mas, estranhamente, o gosto da viagem havia me mudado um pouco. Os rios e riachos, florestas e cerrados, mineiros e goianos, montanhas e planaltos tinham mudado algo dentro de mim.
Ao entrar em Goiás, o cerrado me sobressaltou e voltei a temer pelo meu destino. Aquelas figuras tortas, secas, em meio a um horizonte nunca visto e a perder de vista me causavam aflição e solidão. Onde estão as pessoas? especulava. Com os pés mais inchados, procurava novas paisagens, mas não havia. Aos meus olhos, só cerrado e aos meus ouvidos aquele garoto a discursar sobre as características daquela vegetação e da região, a meu ver totalmente inóspita.

Entardecia de novo quando o ônibus entrou pelo eixão sul e me apresentou Brasília com seus traçados mágicos, com seu astral misterioso, com sua acolhida, naquela época, um tanto fria. Despejou-nos na Rodoviária. Nós, cambaleantes e exaustos, seguimos para a Asa Norte, nosso novo lar. No caminho perguntei ao meu pai: que monumento é esse maravilhoso? Somente após estrondosas e sarcásticas gargalhadas de todos em volta pude saber que era apenas a lua que naquele mês de março se debruçava no horizonte, próxima àqueles pratos fundos que agora não mais tinham ao lado, nem em lugar algum do planalto, o fundador da Capital. Senti remorsos pelos esculachos.

Hoje, por entre nuvens muitas vezes negras, outras vezes brancas, meu olhar se detém no traçado belo, no desenho mágico de uma cidade que me conquistou. No formato incrível do plano que se fez piloto de meus planos, o sinal da cruz é o agradecimento ou louvor a essa viagem eterna que é morar em Brasília.

E quando o avião toca no solo dessa capital, em cada viagem que faço por todo o país, sinto sempre a emoção daquela primeira viagem. A mesma sensação de liberdade de ir, mas com a certeza de sempre vir e ficar por aqui.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Calor nos Polos

Divulgação
Por Jorge Alexandre Machado

A revista Nature publicou artigo nesta quinta-feira (22/1) revelando que o aquecimento no oeste da Antártica é maior do que o esfriamento no leste e, na média, as temperaturas no continente estão mais elevadas do que há meio século.

O que os cientistas pensavam era que, enquanto o resto do mundo aquecia, grande parte da Antártica tornava-se cada vez mais fria. “O oeste da Antártica é muito diferente do leste e há uma barreira física, as montanhas Transantárticas, que separa os dois lados”, avalia Eric Steig, diretor do Centro de Pesquisa Quaternária da Universidade de Washington e um dos autores do estudo.

Segundo os pesquisadores, o aquecimento no lado ocidental tem sido maior do que 0,1ºC por década, nos últimos 50 anos, ou seja, um total de 0,5ºC no período. Satélites ajudam a calcular a temperatura superficial por meio da medição da intensidade de luz infravermelha radiada pelo gelo.

Enquanto o planeta esquenta e seus efeitos se fazem sentir na mudança total do clima em todos os hemisférios, com efeitos devastadores em muitas regiões, as ações de conservação esfriam ou emperram, permitindo a devastação de florestas, a emissão cada vez maior de carbono na atmosfera e a poluição dos rios e mares.

Mais calor nos Polos pode ser sinônimo de mais inundações, mais devastações, mais desequilíbrio ambiental. Parece que a globalização ainda carece de uma organização global para que se migre da visão local ou regional para uma consciência global, de forma a preservar o planeta e, com isso, a nossa própria espécie. Parece tão óbvio, mas tão distante...

O artigo Warming of the Antarctic ice-sheet surface since the 1957 International Geophysical Year, de Eric Steig e outros, está disponível para assinantes da revista Nature em www.nature.com.