domingo, 11 de junho de 2017

Mais pizza?


Por Jorge Alexandre Machado


O movimento era grande na pizzaria chamada de Monumental. Localizada no Eixo de mesmo nome, em Brasília, seu slogan é: Aqui tudo acaba em pizza. Genial.
- Essa é a nossa Presidencial, Sua Excelência vai querer? Entrou no cardápio recentemente, disse o garçom sorridente. Vem aí a Governamental, não é muito diferente da anterior, mas ainda está no forno. Seguem a Congressual e Judicial, Juntas com a primeira que servimos, formam as três poderosas de nosso estabelecimento.
A mais nova do cardápio é a da chapa. Segredo: Muitos não acreditavam no seu resultado. Achavam até que seria cassada de nossa mesa. Mas o que vimos foi ela sendo servida com toda a elegância e até certa displicência no preparo, pela certeza do seu sucesso. Mas acredito que ela não ganharia, se houvesse um processo eleitoral.
- Bom dia, Senhora, aceita a Empresarial.
A distinta Madame respondeu:
                - A carne está muito fraca. Vê se capricha mais.
                - Pode deixar, elas vêm embaladas em caixas de papelão, na medida certa, mas vou juntar uma, duas, ou três e misturar tudo para ver se lhe agrada, afirmou o empregado.
                Em um cômodo destinado à lavagem, um homem gritava aflito: “Lava a jato. Temos tido muitos clientes nesses últimos tempos”. Malas e malas de pratos e talheres chegavam correndo em um movimento frenético naquele local.
- E a Senhorita, algo em especial? A morena é indagada.
                - Como é essa Ministerial, moço?
                - Boa pedida, menina. Ela tem sabores variados, adicionados de acordo com o peso de cada um na receita. Sente-se mais o gosto de determinado ingrediente, os demais passam suaves, quase despercebidos. Sensacional.
                Um casal estava no meio do salão, já estiveram na direita e na esquerda, mas hoje experimentam o centro. Acabaram de chegar de viagem. Coisa rápida na Suíça. Chegaram ao Aeroporto de Brasília e foram direto saborear tão deliciosa iguaria. Era fundamental o momento.
                - Aceita alguma em especial? Ouviu-se na mesa daquela família.  
O jovem foi direto a um pedido que lhe tocava o coração.
                - Sou estudante de Direito, quero essa Processual.
                - É pra já. Ultimamente sai muito, também. Seu formato é de acordo com o interesse do cliente. Como você prefere?
                O pai nem deixou o filho responder e acrescentou:
                - Traga-me a Federal, quase rugia ao falar.
                - Desculpe-me Senhor, mas hoje não temos. Porém, não se preocupe que sempre nos lembramos desse sabor. Tentaremos fazer uma muito grande com tempero Japonês, espero que goste.
                A mãe, sem pestanejar, disparou com firmeza:
                - Prepare-me uma Nacional, aqui fala que essa pode ser encontrada em todos os Estados. Verdade?
                - Sem dúvida, senhora, No Rio de Janeiro e Minas Gerais, por exemplo, tem sido muito apreciada.
                Ao fundo do enorme salão, ficava uma banda de músicos com uma cantora que garantia o cachê artístico fazendo maravilhoso festival. Cantava marchinhas de carnaval, País Tropical, de Jorge Ben Jor, Homem de Neandertal, de Gilberto Gil, Massa Real, de Caetano Veloso, e não podiam faltar inesquecíveis canções, na voz de Gal.              
                Na cozinha, os pizzaiolos se concentravam naquela verdadeira arte de fazer pizzas de todos os tamanhos e para tantas pessoas, mas mantendo-se como profissionais anônimos, embora muito competentes em seu trabalho. Montavam, cada uma, com excelente maestria, colocavam no forno e no momento certo estava pronta para servir. Muito especial.
                Próximo ao Restaurante, víamos tantas pessoas indignadas, que a multidão não se continha e ouviam-se gritos. Lá fora treme. Já na entrada, o Maitre, monta uma planilha para que não se esqueça de ninguém, pois há muitos à espera de um lugar à sombra. Pergunta o estilo preferido de cada um e anota ao lado: Italiano, Alemão, Caju, Caranguejo e coisa e tal.
Na passagem por mais uma mesa, o garçom leva a conta e o cliente paga o valor principal.
- ¿Usted es Argentino? Pergunta. Ao escutar a resposta positiva do cliente, dispara: Muchas gracias, pero acá se paga propina.
Todos no ambiente se viram com o olhar espantado.
- Calma aí pessoal. Propina é como se fala gorjeta em espanhol, tranquiliza o funcionário. Eita, povo infernal, suspira.

                

terça-feira, 15 de março de 2016

VERGONHA NACIONAL

O Brazil não conhece o Brasil. A música, Querelas do Brasil, de Maurício Tapajós e Aldir Blanc, interpretada pela inesquecível Elis Regina, protestava quanto á americanização da cultura do país, mas aqui vamos abolir o "Z"  e  a inevitável influência americana na nossa cultura, para protestar sim, em relação à corrupção desenfreada e motivo de total vergonha dos brasileiros que tem, por formação, a honestidade como princípio. Assim, a cada dia de notícias estarrecedoras, descobrimos que "O Brasil não conhece o Brasil".

Todos os envolvidos querem se fazer acreditar que são isentos de culpa e, a exemplo do que disse o ex-presidente Lula, não tem uma viva alma mais honesta do que ele. E quem são os responsáveis por tantos desvios, tantas fraudes e tantos rombos? Por ação ou omissão, muitos podem ser apontados e a Operação Lava-jato tem atuado nesse sentido. E então constatamos: "O Brasil não merece o Brasil".

Esse país não merece mesmo  ser forjado dessa forma por uma legião de pessoas que confundem o público com o privado. Estão interessados, primeiramente, com o pessoal e não com o interesse da nação. Não querem de forma alguma deixar o poder, seja porque é muito lucrativo, seja para não perderem a imunidade. Exemplo? Estamos na expectativa da posse do ex-presidente Lula como ministro do Governo Dilma, para escapar das acusações contra ele e tentar evitar o impeachment da Presidente. Em outro cenário, os envolvidos já teriam renunciado e concentrado em sua defesa, se houver, e não deixar toda uma população sofrendo as consequências de suas iniquidades. Dessa forma, não há como negar: "O Brasil está matando o Brasil".

Mas existe luz no fim do túnel que não se sabe onde acaba. Se ouvido o clamor de milhões de brasileiros, justiça e paz prevalecerão e não os desmandos e irresponsabilidades presenciados a cada dia. No momento, só o que se ouve é: "Do Brasil, SOS ao Brasil".

sábado, 28 de março de 2015

POLÍTICO OU SAPO MUTANTE

Foi descoberto, no Equador, uma espécie de sapo "que pode mudar a textura da pele para se camuflar", diz o jornal Correio Braziliense de hoje.Segundo o periódico, o Pristimantis mutabilis, seu nome científico, foi localizado na Reserva Las Gralarias e, se colocado sobre um musgo, apresenta visual espinhoso, mas, em cima de uma superfície de plástico, logo assume a pele lisa. Embora a matéria esteja, de forma muita acertada, na editoria  "Ciência", também poderia estar na "Política", com algumas adaptações, pois nos lembra muito a espécie de políticos que temos em nosso País. Na época das eleições, camuflam-se de forma tão perfeita que todos acreditamos em suas promessas, temos a certeza de seus bons propósitos pelo sorriso afável e confiamos que caminharemos juntos, porque ali está, bem perto de nós, o nosso representante, que logo saberemos ser um mutante. Quando chega a hora do resultado eleitoral, nesse momento, ocorre o fenômeno que, para muitos, continua sem explicação: a mutação. Aí lembramos daquela pele lisa que em outro ambiente pode se tornar espinhosa. Não conseguimos mais proximidade e nem reconhecemos aquela criatura transformada e que nos transtorna a todos.No fim da matéria, o jornal comenta "Os cientistas descobriram que o processo de mudança leva três minutos..." Só então percebemos alguma diferença entre as duas espécies. No caso do nosso político, a mudança leva o tempo da campanha eleitoral, que com certeza se arrasta por alguns meses. E para aquelas românticas que pensam no sapo como um possível príncipe, eu relembro as palavras de Cássia Eller na música Malandragem, de Cazuza e Frejat "Quem sabe o príncipe virou um chato. Que vive dando no meu saco. Quem sabe a vida é não sonhar".

quinta-feira, 19 de março de 2015

DÓLAR NA GANGORRA

A cotação do dólar, hoje, voltou a subir e atingiu R$ 3,30, maior valor desde abril de 2003. Já o euro fechou a R$ 3,51, com aumento de 0,73%. Impulsionado pela tendência de alta da moeda norte-americana no exterior, pelos conflitos políticos entre Governo e base aliada e os rumos tortuosos da economia, o dólar segue seu efeito gangorra e cria incertezas sobre uma possível estabilidade da moeda. No entanto, segundo Silvio Campos Neto, economista da Consultoria Tendências. a moeda deve fechar o ano cotada a R$ 3,06.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

ARRUMA A CASA QUE VEM VISITA

Por Jorge Alexandre Machado

Ditam os velhos costumes que quando vamos ter visita em casa, por alguns dias, devemos correr para arrumá-la. Quartos, salas, cozinhas e banheiros não escapam da preocupação em estarem adequados para impressionar e manter nossos hóspedes satisfeitos. Até aquele quartinho da bagunça fica com ares de cômodo de primeira linha. Afinal, a nossa imagem está em jogo e o retorno deles na próxima ocasião ainda nos dá a oportunidade de ganhar a briga com os parentes e amigos, verdadeiros concorrentes, pela estadia dos visitantes.


Mas o Brasil parece não ter aprendido com a população essa prática tão simples e tão eficaz no que se refere a ser hospitaleiro. Promove-se um esforço enorme para atrair turistas estrangeiros para o país, aliás um trabalho impecável e de extremo profissionalismo, mas não se dá a devida importância às condições internas para recebê-los, nesse caso um descuido que beira o amadorismo. E vem aí a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A infra-estrutura turística é sofrível, a começar pelas estradas que em sua maioria estão em condições péssimas ou ruins. Ainda no item transportes, as condições dos aeroportos são de extrema gravidade. Em Congonhas tudo vai bem, mas o perigo é iminente. Em Guarulhos, onde está a tão prometida ampliação? E a capacidade dos aeroportos para o crescente aumento de turistas está compatível com os projetos em andamento? E existem projetos?

Percorrendo as cidades, onde está a sinalização turística? É tão pouca e ineficaz que pode se dizer inexistente. A segurança, ou a falta dela, é fator de risco para os nossos desejos de incrementar o turismo receptivo. Proteger, pelo menos nossos visitantes, deveria estar presente na política nacional para o turismo. Por falar nisso, talvez os nossos turistas precisem de equipamento médico-hospitalar. Esse item também não resiste a uma avaliação por mais superficial que se faça. Não precisamos nem falar do saneamento. Quando chove fica evidente nossas deficiências e tudo vai por água abaixo. E vem a febre, a dengue e outras doenças que sangram os propósitos de se acolher um crescente número de viajantes, ávidos por qualidade no lazer.

A infra-estrutura, juntamente com os atrativos, equipamentos e serviços turísticos, constitui a oferta turística que, como qualquer produto, tem que satisfazer as necessidades dos clientes, sob pena de perdermos para outros destinos concorrentes e ainda sermos alvos de informações negativas por parte daqueles eventualmente (ou quase sempre) insatisfeitos.

Esse cenário, digno de atenção especial das autoridades governamentais, nos faz entender por que o Brasil, de dimensões continentais e atrativos exuberantes, está muito aquém em número de turistas, comparado aos países que arrumaram a casa para receber os visitantes. Por outro lado, essa preocupação com a hospitalidade talvez também explique por que a maior parte dos turistas, segundo dados do Ministério do Turismo, prefere a casa de amigos ou parentes e os estrangeiros outras paragens.