quarta-feira, 22 de julho de 2009

A Casa da família Sarney

Por Jorge Alexandre Machado

Hoje (22/07) a população acordou extasiada com as notícias veiculadas na mídia sobre os diálogos gravados pela Polícia Federal, com autorização judicial, durante a Operação Boi Barrica, que confirmam a prática de nepotismo no Senado pela família Sarney e mostra a ligação de José Sarney (PMDB-AP), com o ex-diretor-geral Agaciel Maia na concessão de favores por meio de atos secretos. Em uma das ligações, Fernando Sarney, filho do Presidente do Senado, diz à filha, Maria Beatriz Sarney, que mandou Agaciel reservar uma vaga para o namorado dela, Henrique Dias Bernardes, como se a vaga fosse de propriedade da família.

Sarney já disse desconhecer os atos secretos e, com a ajuda do Presidente Lula,vem defendendo ser tratado diferente dos mortais pelos serviços prestados à nação. Há quem possa alegar que ele é diferente: é um imortal, mas isso só na Academia Brasileira de Letras. Não se sabe onde foi estabelecido que bons serviços prestados à nação, ao Estado que representa ou a quem quer que seja conceda anistia prévia a qualquer cidadão (imortal ou não), permitindo a prática de ações condenáveis seja sob o aspecto, moral, ético e contrariando preceitos constitucionais por quem inclusive ajudou a escrevê-los.

As revelações de hoje não surpreendem por serem as primeiras, nem por mostrarem a verdadeira face de Sarney que todos já conhecem, senão pela história política, pelo menos pelas várias denúncias que surgiram desde janeiro deste ano. Elas chocam pela resistência dele em se manter no cargo, apesar da gravidade das acusações, pela negligência da Casa, que cria artifícios para ver se a situação se supera por decurso de prazo, pela falta de interesse da sociedade, que parece ter se acostumado com os descaminhos e desatinos dos políticos e da máquina pública e não se mobiliza com veemência para mostrar que esse tipo de comportamento é inaceitável no Brasil do século XXI.

Quanto aos supostos bons serviços prestados pelo Presidente do Senado, o Maranhão, seu Estado de origem, “ocupa a pior posição no ranking brasileiro do IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), uma adaptação do IDH para o Brasil”, segundo o PNUD. O Amapá, Estado que passou a se eleger, não tem muito a comemorar com o ilustre forasteiro. Já a nação, não tem nenhuma saudade dos tempos de Presidente do Brasil, do atual senador José Sarney. Ele deixou o país com a pior inflação da história, após o desastrado plano cruzado.

sábado, 23 de maio de 2009

Educação Corporativa na Universidade Fernando Pessoa

Por Jorge Alexandre Machado

A Universidade Fernando Pessoa lança oferta da UFP CORPORATE EDUCATION para 2009/2010. Dia 26 de Maio fará apresentação pública dos cursos, no Salão Nobre da UFP-Porto (pode ser acompanhada via internet, em live streaming), às 18h00.


Programação:

18:00 horas – Sessão de Abertura com breve apresentação da UFP CORPORATE EDUCATION;

18:15 mins Apresentação dos parceiros e respectivas assinaturas de protocolos, com as entidades;

18:45 mins Apresentação das Ofertas de Educação Pós-Graduada.

Para a UFP, "um projeto de educação corporativa começa sempre pela existência de uma parceria entre a Universidade e uma organização (empresarial, estatal, municipal, associação representativa de determinado sector, etc.) que acredita na importância da qualificação dos seus recursos humanos como forma de ganhar competitividade".

As confirmações de presença (física ou via Internet) poderão ser efetuadas nos telefones 225071365 ou 932652675, ou ainda pelo email licinia@ufp.edu.pt





Fonte: Alice Gonçalves (Portugal)





sexta-feira, 1 de maio de 2009

Além de febre, tosses e espirros

Por Jorge Alexandre Machado

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou hoje que o número de casos oficialmente confirmados de contágio pela gripe suína é de 331, espalhados em 11 países, e já causou 10 mortes até agora.

Os Estados Unidos têm 109 casos e uma morte e o México, 156 e 9 mortes. Outras incidências da doença foram confirmadas na Áustria (1), Canadá (34), Alemanha (3), Israel (2), Holanda (1), Nova Zelândia (3), Espanha (13), Suíça (1) e Grã-Bretanha (8).


Mais do que espirros, tosses e outros desconfortos, o vírus, referido pela OMS, como influenza A (H1N1), tem feito muitos estragos pelo mundo também no processo de desenvolvimento, que vinha acelerado pela globalização. Antes da praga, o planeta parecia caminhar para a tão sonhada aldeia global: comércio livre entre países, turismo crescente, migrações e emigrações. Agora, após o nível de alerta 5 (pandemia iminente), o quadro é de medo generalizado que passou a criar até um novo acessório unissex, cada vez mais procurado, para uso diário: a máscara.


O pânico tem gerado uma febre de medidas que leva à “desglobalização”, como o fechamento de aeroportos, proibição de ir e vir, restrições ao comércio de alimentos, especialmente da carne de porco e mais xenofobia. Se não bastasse a crise financeira mundial, que por sinal nem se fala mais tanto, os “sintomas” dessa nova doença no cenário mundial é de retração, atraso, problemas nas relações interpessoais, além do agravamento da crise econômica em diversos países, como o México. A crise financeira e a Influenza têm intimado o mundo a se rearranjar e reinventar.


Além de vacinas e remédios para tratamento do mal nas pessoas, há que se atuar também na prevenção dos efeitos devastadores que esse vírus pode causar na humanidade, no que se refere ao processo de evolução, de desenvolvimento econômico e, principalmente das relações humanas. De outra forma, o surto pode passar, mas deixará, uma população de mascarados, com lembranças vivas de uma Influenza altamente negativa em nossa história.


A primeira coisa a fazer, talvez seja a conscientização de todos sobre esses outros efeitos da gripe, chamada suína, que não são detectados clinicamente. Por isso tenho fé na internet e nas redes sociais.


SAIBA MAIS

domingo, 19 de abril de 2009

Brasília, meu destino

Foto: Luciana Machado
por Jorge Alexandre Machado (em homenagem aos 49 anos de Brasília nesse 21 de abril de 2009)


O asfalto parecia rolar velozmente sob meu olhar estático e distante, enquanto os pensamentos ricocheteavam entre as imagens de um Rio de Janeiro que ia ficando pelo caminho e uma cidade tão longe e desconhecida que assombrava os meus sonhos adolescentes.

Entardecia, quando olhei para a porta do ônibus, antes de embarcar naquela viagem insólita, e estremeci ao acompanhar o motorista selar o meu destino em tinta branca: RIO/BRASÍLIA. Quando virou para mim, eu senti escárnio em seu sorriso. O que seria de mim? pensava. O que seria do Rio de Janeiro sem mim, pretensioso, me perguntava. O que seria Brasília? calculava.

Sabia só que era a capital inacabada de um país torturado e emudecido pela ditadura daqueles anos 70 que começavam. De imagens, só aquelas da inauguração da cidade na Revista Manchete. Ali, o Congresso, com seus pratos fundos, era uma obra que me enchia de admiração e respeito. Ao lado, o fundador, com seu sorriso largo e os olhos cerrados, parecia não querer encarar o que fez comigo e com o Brasil. Capital é o meu Rio de Janeiro, esculachava-o.

Na serra de Petrópolis pude conhecer e admirar a mata atlântica, não só pela beleza da floresta nativa, mas pela garra em ainda resistir em suas raízes e não sair de lá. Dentro do ônibus, os passageiros se tornavam mais íntimos e muitos planos eram arquitetados em uma babel ensurdecedora. A esperança na nova terra era o único tom que parecia inteligível naquela algazarra sem fim.

Em Juiz de Fora, ao descer na primeira parada e olhar ao redor, senti no solo mineiro a sensação de liberdade que acho que só os viajantes conhecem bem. A liberdade de ir, ainda que não voltem. A liberdade de descobrir, a liberdade de conhecer, a liberdade de mudar.

O queijo de João Pinheiro, saboreado no balcão da mercearia, em meio a um “causo” contado pelo comerciante, com sotaque que mais parecia língua estrangeira, mexeu com minhas certezas e arrogâncias. Havia um mundo além de mim, além do meu, estrada-além.

Reembarquei já com gosto de viagem. Atrás de mim um garoto recém-entrado na adolescência não parava de citar as capitais de quase todos os países do mundo e as alturas dos picos mais esdrúxulos e desconhecidos de meu universo cultural. Como ele conhecia tudo isso, guardava na cabeça e ainda vociferava impune? entediado, eu me indagava.

Ao passar por Belo Horizonte, resolvi fazer comigo um jogo de observação das pessoas que no quadro da janela se multiplicavam. Elas, indiferentes à minha sorte, transitavam suas vidas naquelas avenidas largas, naquela manhã que também clareava a minha mente para as diferenças culturais e para a diversidade desse país que havia horas eu percorria extasiado.

Paracatu foi a última parada. O momento em que meu coração disparou ao me dar conta de que, na próxima descida, meus pés já incrivelmente intumescidos fincariam definitivamente na nova capital. Mas, estranhamente, o gosto da viagem havia me mudado um pouco. Os rios e riachos, florestas e cerrados, mineiros e goianos, montanhas e planaltos tinham mudado algo dentro de mim.
Ao entrar em Goiás, o cerrado me sobressaltou e voltei a temer pelo meu destino. Aquelas figuras tortas, secas, em meio a um horizonte nunca visto e a perder de vista me causavam aflição e solidão. Onde estão as pessoas? especulava. Com os pés já inchando, procurava novas paisagens, mas não havia. Aos meus olhos, só cerrado e aos meus ouvidos aquele garoto a discursar sobre as características daquela vegetação e da região, a meu ver totalmente inóspita.

Entardecia de novo quando o ônibus entrou pelo eixão sul e me apresentou Brasília com seus traçados mágicos, com seu astral misterioso, com sua acolhida, naquela época, um tanto fria. Despejou-nos na Rodoviária. Nós, cambaleantes e exaustos, seguimos para a Asa Norte, nosso novo lar. No caminho perguntei ao meu pai: que monumento é esse maravilhoso? Somente após estrondosas e sarcásticas gargalhadas de todos em volta pude saber que era apenas a lua que naquele mês de março se debruçava no horizonte, próxima àqueles pratos fundos que agora não mais tinham ao lado, nem em lugar algum do planalto, o fundador da Capital. Senti remorsos pelos esculachos.

Hoje, por entre nuvens muitas vezes negras, outras vezes brancas, meu olhar se detém no traçado belo, no desenho mágico de uma cidade que me conquistou. No formato incrível do plano que se fez piloto de meus planos, o sinal da cruz é o agradecimento ou louvor a essa viagem eterna que é morar em Brasília.

E quando o avião toca no solo dessa capital, em cada viagem que faço por todo o país, sinto sempre a emoção daquela primeira viagem. A mesma sensação de liberdade de ir, mas com a certeza de sempre vir e ficar por aqui.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Calor nos Polos

Divulgação
Por Jorge Alexandre Machado

A revista Nature publicou artigo nesta quinta-feira (22/1) revelando que o aquecimento no oeste da Antártica é maior do que o esfriamento no leste e, na média, as temperaturas no continente estão mais elevadas do que há meio século.

O que os cientistas pensavam era que, enquanto o resto do mundo aquecia, grande parte da Antártica tornava-se cada vez mais fria. “O oeste da Antártica é muito diferente do leste e há uma barreira física, as montanhas Transantárticas, que separa os dois lados”, avalia Eric Steig, diretor do Centro de Pesquisa Quaternária da Universidade de Washington e um dos autores do estudo.

Segundo os pesquisadores, o aquecimento no lado ocidental tem sido maior do que 0,1ºC por década, nos últimos 50 anos, ou seja, um total de 0,5ºC no período. Satélites ajudam a calcular a temperatura superficial por meio da medição da intensidade de luz infravermelha radiada pelo gelo.

Enquanto o planeta esquenta e seus efeitos se fazem sentir na mudança total do clima em todos os hemisférios, com efeitos devastadores em muitas regiões, as ações de conservação esfriam ou emperram, permitindo a devastação de florestas, a emissão cada vez maior de carbono na atmosfera e a poluição dos rios e mares.

Mais calor nos Polos pode ser sinônimo de mais inundações, mais devastações, mais desequilíbrio ambiental. Parece que a globalização ainda carece de uma organização global para que se migre da visão local ou regional para uma consciência global, de forma a preservar o planeta e, com isso, a nossa própria espécie. Parece tão óbvio, mas tão distante...

O artigo Warming of the Antarctic ice-sheet surface since the 1957 International Geophysical Year, de Eric Steig e outros, está disponível para assinantes da revista Nature em www.nature.com.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Encontrado refúgio de araras-azuis

Foto: Elza Fiuza/ABr
Por Jorge Alexandre Machado

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Arara-Azul descobriram um refúgio com 28 ninhos de araras-azuis na Floresta Nacional dos Carajás, no sudeste do estado do Pará, conforme divulgou a Agência Brasil.
Em entrevista à Rádio da Amazônia, da EBC, a bióloga Sílvia Presti comentou: “é um estudo inicial, mas foi interessante, pois conseguimos identificar os hábitos alimentares das araras, as áreas de ocorrência de ninho e coletamos sangue para estudo genético, que é importante para plano de conservação".
A USP quer conhecer a genética da arara-azul, comparando-a com as diferentes populações da espécie no Brasil. De acordo com a bióloga, apesar de que o maior número de araras-azuis está concentrado no Pantanal., a região entre os estados da Bahia, do Piauí e de Tocantins também conta com uma população da espécie, pouco pesquisada. “O estudo nessa área é dificultoso, pois os ninhos são instalados em paredões e não em árvores”, informou a pesquisadora.
Uma das principais ameaças contra a espécie é o tráfico de animais. De acordo com Sílvia, existe um número razoável de araras-azuis na natureza, mas são necessárias ações de conservação e de conscientização da população para evitar a extinção. “Estamos lutando muito em prol dessa população. Cultivando a arara-azul a gente não preserva só a espécie, mas todo o ambiente em que a espécie está inserida”, afirma a bióloga.

Faixa de Gaza sob intenso bombardeio

Por Jorge Alexandre Machado

Forças Armadas de Israel intensificam os ataques à Faixa de Gaza com mais de 40 bombardeios aéreos durante esta madrugada (10). São 14 dias de ofensiva na região. O alvo, segundo militares israelenses, seriam os túneis usados para contrabandear armas e locais usados para o lançamento de foguetes contra Israel.
As milícias palestinas lançaram pelo menos oito foguetes contra Israel, quatro deles contra a cidade de Ashkelon e o restante contra comunidades rurais. O número de mortos na faixa de Gaza já soma 820, dos quais cerca de 200 seriam civis. Os feridos totalizam 3,3 mil. Israel contabiliza entre civis e militares, 15 mortes e centenas de pessoas feridas.

Após reunião com seu colega do Egito, Hosni Mubarak, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, afirmou que seu principal objetivo no momento é deter a agressão israelense contra a Faixa de Gaza. Abbas lamentou a rejeição do Hamas e de Israel à recém-aprovada resolução do Conselho de Segurança da ONU para um imediato cessar-fogo em Gaza e avaliou que "é necessário um acordo sem demora".
A caminho de se encerrar a primeira década do século XXI, com avanços grandiosos em várias áreas do conhecimento humano, especialmente no campo da tecnologia e das comunicações, é difícil se aceitar a resolução de conflitos por meio de guerras ou verdadeiras carnificinas como essa que estamos assistindo no momento.

Será que órgãos de inteligência, bem estruturados e capacitados não poderiam desarticular organizações terroristas com mais êxito? Será que uma ação séria e global não poderia resolver esse eterno problema de territórios no oriente médio? Será que a ONU não poderia realmente funcionar como uma organização das nações unidas?

Neste século XXI, o grande desafio da humanidade deve ser o de superar o seu instinto primitivo e irracional para utilizar mais a inteligência de que tanto se orgulha e que acredita que a diferencia das demais espécies, pois o que se vê cada vez mais claro é que, apesar dos progressos que aparentemente nos coloca em um patamar de civilização avançada, algo na raça humana não quer deixar de ser animal.







sábado, 29 de novembro de 2008

Santa Catarina à espera de donativos

Foto: Wilson Dias/ABr
Por Jorge Alexandre Machado

Com 27.410 desalojados e 51.297 desabrigados, várias cidades de Santa Catarina estão à espera de donativos para distribuir às vítimas do temporal que provocou mortes, alagamentos e deixou milhares de famílias sem lar.

Até hoje (29), segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, o saldo é de 109 mortos, 19 pessoas desaparecidas e muita destruição em vários municípios. Ilhota e Blumenau são os municípios com o maior número de óbitos registrado: 37 e 24, respectivamente. O governo decretou estado de calamidade pública em 14 municípios: Benedito Novo, Blumenau, Brusque, Camboriú, Gaspar, Ilhota, Itajaí, Itapoá, Luis Alves, Nova Trento, Pomerode, Rio dos Cedros, Rodeio e Timbó. No total, 1,5 milhão de pessoas sofreram os efeitos das chuvas no Estado.

Em Brasília, a campanha “SOS Santa Catarina, Brasília Solidária”, promovida pela Defesa Civil do Distrito Federal, já arrecadou duas toneladas de doações. Lançada no dia 27, a iniciativa também contou com o apoio da Polícia Militar, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros e da Cruz Vermelha. “A campanha mal começou e nós já temos mais de duas toneladas em alimentos, roupas, calçados e materiais de higiene pessoal, arrecadadas de ontem para hoje”, informou a gerente de proteção comunitária da Defesa Civil, Edna Gonçalves.

No Distrito Federal, há postos de arrecadação em todas as cidades satélites e no Plano Piloto. De acordo com a Defesa Civil, as doações podem ser entregues em todos os quartéis da Polícia Militar, delegacias, unidades do Corpo de Bombeiros, estações do metrô, unidades do Serviço Social do Social do Comércio (SESC) e Administrações Regionais do Governo do Distrito Federal, além dos postos Na Hora (serviço do GDF criado para atendimento ao cidadão).

No Rio de Janeiro, um grupo de escoteiros de Copacabana, distribui panfletos, pedindo a população que faça doações. Eles pedem água potável, alimentos não perecíveis, além de roupas e agasalhos e material de higiene pessoal. Somente na sexta-feira (28), foram enviadas quatro toneladas de donativos. Além dos alimentos, uma carreta partiu do Rio de Janeiro também levando roupas, brinquedos e eletrodomésticos.

São Paulo também dá sua contribuição. Partiram hoje (29), da capital paulistana, cinco caminhões carregados de doações. São 26 mil litros de água, 26 mil peças de vestuário, 500 cobertores, três mil quilos de alimentos e três mil produtos de higiene pessoal. A Sabesp enviou, na última quinta-feira, 27, cerca de 48 mil litros de água. Já a TV Cultura promove no próximo domingo (30), das 20h às 22h, no Anhembi, um grande show aberto ao público. O "SOS Santa Catarina"reunirá grandes nomes da MPB que solicitarão doações de cobertores e garrafas de água.

Segundo a Defesa Civil, a arrecadação em dinheiro já contabiliza R$ 3 milhões, mas os prejuízos só com o turismo estão estimados em R$ 120 milhões. A Defesa Civil de Santa Catarina orienta as pessoas dispostas a realizar doações para as vítimas das chuvas no Estado que dê prioridade aos alimentos que não precisam de preparo. Além de comida também são necessários água, roupas, sapatos, cobertores, colchões, fraldas e material de higiene.

Informações sobre a situação das rodovias estaduais podem ser obtidas pelo site do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual ou pelo número 198. As condições da BR-101 podem ser verificadas gratuitamente pelo telefone 0800 603 0101.


SERVIÇO:

Informações da Defesa Civil

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Crianças agredidas se sentem culpadas

Por Jorge Alexandre Machado

Um estudo da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), da USP, conclui que as crianças se acham culpadas pelas agressões sofridas, mesmo quando não fizeram nada. Segundo a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), na maioria dos casos de violência doméstica contra a criança, a mãe é a principal agressora. “Já os motivos da violência são vários: os pais descontam nos filhos seus traumas, problemas e frustrações. A violência é uma forma de tentar extravasar os problemas e o estresse da vida”, comenta a historiadora Mirian Botelho Sagim.

Conforme relata a ANDI, a tese de doutorado apresentada por Mirian analisou a violência contra crianças e adolescentes no ambiente familiar. Ela mostra que as agressões no ambiente familiar podem ter consequências na vida fora de casa e que as crianças e adolescentes agredidos tornam-se pessoas violentas. A criança considera aquilo normal, "pois não tem modelos positivos em casa como referência".

A pesquisadora avalia que "alguns casos de agressões crônicas evoluem para um quadro de tortura, no qual o pai ou a mãe agressores usam de métodos hediondos para punir os filhos. São casos de queimaduras, choques elétricos, instrumentos de tortura, crianças amarradas, acorrentadas, entre outros. Muitos deles acabam no hospital, com fraturas, queimaduras e traumas profundos".

Outro ponto observado é que o impacto da violência psicológica é muito maior do que a agressão física. "A violência física dói, mas passa, e a criança acaba esquecendo. Já a violência psicológica fica na memória e a criança carrega consigo por muito tempo", esclarece Mirian.

Ela acredita que a formação de grupos de apoio à família, atuando nos bairros, evitaria o agravamento do problema. Segundo a pesquisa, "a conversa é uma das melhores formas de tratar o problema. As crianças e adolescentes entrevistados afirmam que o dia mais feliz do ano é, nesta ordem, o Natal e o dia em que não apanham".

A quantidade de episódios de violência contra a criança assusta, mas a prevenção não existe, só se atua quando há denúncias, maus-tratos, ou até mortes e, nesse caso, nada mais se pode fazer. Quem sabe chegará o dia em que no pré-natal, além dos exames de praxe, os pais serão submetidos a avaliação psicológica e se houver indícios de comportamentos tendentes à violência eles sejam submetidos a tratamento e acompanhados para a proteção dos que são os maiores alvos da agressão doméstica e ainda se sentem culpados por isso.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sonda em órbita de Júpiter

Ilustração: Nasa/JPL
Por Jorge Alexandre Machado

A agência espacial norte-americana, Nasa, divulgou uma nova missão com o objetivo de estudar o maior planeta do Sistema Solar: Júpiter. Ela lançará a sonda Juno em agosto de 2011, no Cabo Canaveral, na Flórida que deverá chegar ao planeta em 2016. Em um ano serão 32 órbitas em volta de Júpiter, a cerca de 4,8 mil quilômetros acima da camada de nuvens mais alta.

A densa cobertura gasosa de Júpiter esconde segredos dos processos e das condições fundamentais verificadas nos primórdios do Sistema Solar. “Júpiter é o arquétipo dos planetas gigantes em nosso Sistema Solar e se formou muito cedo, capturando grande parte do material que sobrou após a formação do Sol. Diferentemente da Terra, a gigantesca massa de Júpiter permitiu que o planeta mantivesse sua composição original, o que nos oferece uma excelente maneira de traçar a história do Sistema Solar”, disse Scott Bolton, principal pesquisador da missão no Instituto de Pesquisa Southwest, em San Antonio.

Os astrônomos querem investigar a possível existência de água, além de explorar a campo magnético do planeta e a constituição química de sua atmosfera. Como o Sol, Júpiter é composto principalmente de hidrogênio e hélio.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Amazônia a caminho da desertificação

Por Jorge Alexandre Machado

Se houver desmatamento de mais 30% na Amazônia, as mudanças no bioma serão irreversíveis, com a extinção da parte oriental da floresta. Hoje cerca de 20% da cobertura original já foi destruída. A informação é da Agência FAPESP, baseada em um novo modelo desenvolvido no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O modelo foi defendido na tese de doutorado de Gilvan Sampaio, em março, no Inpe, e apresentado pelo pesquisador, na semana passada, na Conferência Internacional Amazônia em Perspectiva, em Manaus.

Sampaio avalia que, se o desmatamento chegar a 50% da área original da Amazônia, a região leste da floresta se transformará em savana e o Nordeste do país também sofrerá impactos, com avanço acelerado da desertificação. “Descobrimos que um desmatamento acima de 50% estabeleceria um novo estado de equilíbrio na Amazônia, dando ao bioma uma configuração irreversível. Essa cifra representa a transição para um ponto sem retorno”, disse Sampaio à Agência FAPESP.

Estudos não faltam para alertar sobre o perigo do desmatamento que cresce de forma acelerada na Região Amazônica, o que faltam são ações concretas para deter esse processo desenfreado. Enquanto isso, as autoridades parecem não querer enxergar a dimensão do problema e até tentam convencer a sociedade de que o desmatamento está diminuindo ou segue sob controle. Talvez estejam vendo miragens que, é bom lembrar, são típicas de paisagens desérticas.